sábado, 28 de junho de 2008

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Era uma vez um menino que percebeu mal a História do Menino Mentiroso.
Pensava ele que, se não dissesse "Fogo!" e só gritasse, não mentia e assim não havia o perigo de o confundirem com o outro menino da história.
E assim, o nosso menino foi crescendo com um grito aqui, outro ali, mas nunca gritando a palavra "Fogo!".
Na escola, enquanto aprendia, só muito de vez em quando gritava. Aprendia depressa, tinha jeito para muitas coisas e assim ia conquistando colegas e professora. Ajudava os colegas, sorria para a professora. Brincava aos pássaros e os colegas voavam com ele. Alguns descobriram a verdade e nunca mais foram felizes.
O nosso menino chegou à idade do namoro e, persistente como é, rodeou e fez crer que o céu estava perto, que se lhe podia tocar com a mão, tão mais fácil para eles que eram altos. Casaram e ainda não haviam tocado o céu. O céu vai ficando cada vez mais alto, não te parece? Assim dizia o menino, sem nunca dizer que não era possível tocar o céu.
No trabalho o nosso menino assegurou à sua equipa que iriam mudar o mundo. Ficaram coesos, crentes. Irão, pela certa, descobrir que ninguém consegue mudar o mundo, o menino esquecera-se de o dizer.
Crescia e gritava cada vez mais e mais alto.
Uma menina que passava olhou o menino e ele disse: queres agarrar o arco-íris? Ela nem duvidou que não fosse possível! Quero! - respondeu.
Oh! Não aconteceu! Primeiro porque nem sempre há arco-íris, depois ele é tão livre que não se agarra, depois ainda são tantas as cores que se recusam ao cinzentismo de quem nunca grita a palavra "Fogo!".
Vejam só como o Menino Mentiroso é mais verdadeiro que o menino da omissão.



Rhiannon

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Não tenhas medo, ouve: ... Um misto de oração e de feitiço... ... Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz... Torga